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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Desabafo de início de ano

Apesar de ter tido um bom ano em 2018, ainda não consegui sair do armário. Achava que morando na baixada santista fosse encontrar pessoas menos preconceituosas, mas percebi que é tudo igual. 

No trabalho, procurei ser bem reservado e falar o mínimo possível. Tentei fazer amizades com algumas pessoas com quem tive mais afinidade, mas depois acabei descobrindo que eram todas preconceituosas. Que decepção!

Fiz amizade com uma velhinha de mais de 70 anos, e depois com a convivência, descobri que ela não gosta de gays, lésbicas, negros e nordestinos. Quanta decepção!

Comecei o ano na mesma escola que trabalhava, mas fico quase sempre lendo um livro, nas horas dos intervalos. 
Fiquei bem amigo de uma professora que é crente e bem negra, mas ainda não tive coragem de contar para ela que sou gay. Acho que quando contar, ela vai me desprezar.

Pensei que minha mudança fosse me dar coragem de sair do armário, mas fez foi piorar. Encontrei tanta gente com todo tipo de preconceito!

No fim do ano, na festa de confraternização, quase fiz amizade com um professor que aparecia eventualmente para dar aulas. Acabei indo embora e não peguei o contato dele.

"A esperança é a última que morre". Espero ter mais sorte e conseguir amizades verdadeiras e sem preconceito.
Um bom ano de 2019 para vocês!
Beijos nos pés!

PS: Se alguém da baixada santista tiver afim de uma nova amizade, por favor, deixe uma mensagem na minha página do facebook.
Link do meu facebook:

domingo, 25 de junho de 2017

Assédio Sexual

O assédio sexual pode ser definido como avanços de carácter sexual, não aceitáveis e não requeridos, favores sexuais ou contatos verbais ou físicos que criam uma atmosfera ofensiva e hostil. Pode também ser visto como uma forma de violência contra mulheres ou homens e também como tratamento discriminatório. A palavra chave da definição é: Inaceitável.  

O assédio sexual pode ter várias formas de comportamento. Incluí a violência física e a violência mental como coerção, ou seja, forçar alguém a fazer o que não quer. 
Pode ter uma longa duração - a repetição de piadas ou trocadilhos de carácter sexual, convites constantes para sair ou inaceitável conversas de natureza sexual. 

Pode também ser apenas um único acidente - tocar ou apalpar alguém, de forma inapropriada, ou até abuso sexual e violação.

Fonte:
http://meusalario.uol.com.br/main/trabalho-decente/tratamento-justo/assedio-sexual/o-que-e-o-assedio-sexual-brazil

Desabafo:
Antes de falar o que se passa, lembrei de algumas vezes que sofri esse tipo de violação. Uma vez, quando trabalhava no banco, o meu chefe pediu para eu ir destruir uns cartões em uma máquina que ficava num quartinho, literalmente escuro, pois não havia janela, e a iluminação era uma lâmpada bem fraca. 

Enquanto destruía os cartões, ele entrou com outro colega amigo dele que se aproximou de mim e começou a me alisar. Comecei a pedir para parar, se não iria gritar bem alto e comunicar ao gerente. Eles me deixaram em paz, naquele momento, e consegui sair dessa ileso. 

Outra vez, eu estava terminando um serviço e sem nenhum colega de trabalho no recinto, o "poderoso chefão" disse que queria beijar a minha boca. 

Fiquei tão sem sentido, que apenas disse que ele só podia estar brincando, visto ele ter namorada. Ele disse que era sério, e eu me fiz de desentendido para sair novamente ileso dessa. Na época, era muito inocente, e não sabia que existiam homens bissexuais. 

Outra vez quando já dava aula, eu disse na brincadeira, que se acontecesse alguma coisa, que não lembro o que era, eu iria fazer streptease. 

Dias depois, a diretora da escola me chamou em sua sala e cobrou a minha performance. Eu apenas disse que estava brincando e saí de fininho da sala dela. Não tive nem coragem para falar para ninguém, o que havia acontecido.

Outra vez, saí com um pessoal do trabalho. Uma colega que gostava de mim, bebeu muito e começou a dar vexame. 

Então resolvemos ir embora. Fomos para o ponto de ônibus, mas ela começou a ir para o meio da rua e quase foi atropelada. 

Acabei pegando ela pelo braço e tomei um táxi para nos levar para casa. 

Deixei ela no banco de trás e fui na frente. No caminho de casa, ela começou a me alisar, mesmo estando no banco de trás. Fiquei muito constrangido, por que ela começou a tentar tirar a minha roupa. Tanto a camisa, como a calça. 

Fiquei morrendo de vergonha do motorista, que acho que estava para gozar de tanto tesão. Quando chegamos na casa dela, eu paguei o táxi e fui abrir a porta para ela entrar. O motorista ainda demorou um pouco a ir embora, por que pensou que a gente fosse transar ali mesmo na entrada da casa dela. 

Ela me beijou e forçou a barra para eu transar com ela. Eu acabei indo embora e ela ficou gritando que isso não era atitude de homem. Passei muita vergonha naquele dia. 

Eu ainda tive que encarar ela na segunda de manhã. Ela me pediu desculpas e continuamos "amigos".
Deve ter tido alguns outros casos de assédio, mas agora vou contar o que acontece no momento.

Esse ano entrou uma professora que acho que gostou de mim logo de cara. Eu sei que é difícil quando a gente gosta de alguém e não é correspondido, mas eu também não tenho que transar com ela só porque ela gosta de mim. 

Passo muitas situações constrangedoras, e não sou mais adolescente para levar isso na esportiva ou brincadeira. 

Queria me desabafar com alguém, mas não consigo. Não tive coragem de contar nem para minha mãe. 

Penso em falar para ela que sou gay, mas acho que ela em represália, irá fazer a minha caveira diante dos colegas de trabalho e principalmente os alunos. 

Costumo merendar sempre com os alunos, e nos dias em que ela está, fico em pé o mínimo possível na sala dos professores, porque se sentar, ela vem sentar do meu lado e fica me secando. 

Sexta passada, fiquei trocando ideia com outra professora enquanto preenchia as notas nas fichas dos alunos. Então ela sentou do lado da professora e ficou me secando. Tive que me retirar da sala e ir preencher as fichas no corredor, na mesa das inspetoras. 

Quando eu chego, eu sento sempre bem longe dela, e tento ficar fora de visão, mas ela sempre levanta, e se tiver alguma cadeira vazia, ela vem sentar ao meu lado. 

O pior de tudo, é que ela é pegajosa. Me olha com cara de tarada e levanta as mãos em minha direção, como se fosse apertar minhas bochechas.
Ela gosta de fazer piadas ou trocadilhos de caráter sexual. 

Dias desses, ela passou perto de mim, me olhou, e disse que adorava chupar. Lembrei da Dona Bela que dizia "só pensa naquilo".

Outro dia conversava com uma professora no sofá, e ela se jogou no sofá e ficou se esfregando em mim. Tive que levantar e depois sentei no chão para acabar de conversar com a professora. É tão constrangedor o que passo, e o pior é que ela fica fazendo papel de ridícula sabendo que não vai dar em nada. 

Outro dia, um colega dela disse em voz bem alta para todos da sala ouvirem, que sabia de um grande segredo dela. Aí as pessoas me olharam. Fiquei constrangido, mas me fiz de desentendido.

Sinto que qualquer dia ela vai enfiar as mãos na minha mala. Será que as mulheres não tem semancol para saber quando um cara é gay e não quer nada com elas?
Essa é a pergunta que não quer calar.

Não vou contar tudo o que se passa, pois me sinto constrangido, mas acho que estou com ginofobia (medo de mulher). 

Eu literalmente tenho medo dessa mulher. O pior é que ela parece uma bruxa e tem um "mau olhado".

Peço desculpas a todos, mas precisava desabafar!


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Orações para Bobby

Posterguei o máximo que pude para assistir Orações para Bobby, pois sabia que o filme iria ser bem triste. Encharquei minha camisa de tanto chorar. 

O filme lembrou todas as minhas agruras que passei na vida com a minha família.
Quando eu era bem pequeno, uns cinco anos, minha mãe chegou em casa e eu tinha colocado o sapato de salto alto dela e tinha ido para o meio da rua. 

Ela estava acompanhada de uma amiga que era psicóloga que disse para eu fazer um tratamento com um neurologista, pois eu tinha distúrbio de comportamento.

Até hoje me lembro que era um consultório bem pequeno, que ficava entre minha casa e a igreja que nós íamos. O médico perguntava coisas e mandava eu desenhar. 

Conversei esses dias sobre o que o médico dizia, mas ela desconversou sobre o assunto.
Disse apenas que eu tinha problema de relacionamento com as outras crianças.

O que eu me lembro, é que eu me recusava em jogar bola e os meus coleguinhas me chamavam de bicha. Por causa disso, tinha muita dificuldade em ter amiguinhos, pois ficava estigmatizado por ser chamado disso.

Lembro certa vez que meu pai foi levar minha mãe em um curso, e apareceu um colega dela que era gay. Nunca esqueci que quando minha mãe viu ele, ela virou e disse para mim que ele era bicha louca. Me deu uma vontade de dizer para ela que os colegas também me chamavam assim! 

Minha mãe tinha e tem muito preconceito e acabou pagando com a língua.
Lembro que minha cama tinha um monte de bichinhos de pelúcia e gostava de pendurar gravuras de desenhos que eu pintava. 

Enquanto meu irmão tinha apenas uma tartaruguinha.

Sofri muito preconceito e bullying pelo fato de não jogar bola. Era considerado sempre o gayzinho, e para não me sentir sozinho, ficava com alguma menina. Isso começou a acontecer no quarto ano.

Lembro até hoje que a menina se chamava Claudia. Dancei na Festa Junina com ela. Quando sai da escola católica e fui para a protestante, arrumei amiguinhos do mesmo sexo que eu. Essa fase durou três anos.

Quando fui para o oitavo ano, entrei na puberdade e acabei tendo um pouco de dificuldade em fazer amizade. 

Lembro apenas que trocava ideia com os renegados da minha sala de aula. Um usava droga e quase levou um colega a se matar de overdose. E o outro era anão.
Assim como a mãe de Bobby, minha mãe também tinha táticas para eu não me desvirtuar do caminho que ela achava o correto. 

Depois que entrei na puberdade, ela fazia marcação cerrada com relação as minhas amizades. Proibia de eu fazer amizade com colegas da escola ou do prédio em que morava. 

Os meninos iam me chamar para brincar, mas era em vão. Minha mãe só não proibia os irmãos da igreja. Foi quando fundei O Quarteto. Mesmo assim minha mãe ficava na minha cola, e olha que nem existia celular nessa época. 

Íamos na igreja três vezes por semana, e nos outros dias estudávamos em casa. A programação da TV era selecionada e me divertia apenas com músicas do rádio. O computador era usado apenas pelo meu irmão, que só fazia jogar vídeo game.

Depois que saí de casa, ainda na adolescência, penei muito até conseguir arrumar um emprego para poder pagar uma edícula e poder viver sossegado minha vida.  

Depois de um tempo voltei a morar com minha mãe porque não conseguia pagar a faculdade e o aluguel ao mesmo tempo. Entrei em depressão por que minha mãe ainda enchia o meu saco com relação a minha escolha. 

Então novamente me submeti a um tratamento no Hospital das Clínicas de São Paulo, com uma psiquiatra. Minha mãe sempre estava presente nas sessões e não tinha como pedir socorro da médica. Até que um dia a médica falou na cara da minha mãe que eu não tinha nada e que não devia voltar mais lá. 

Só faltou dizer para ela que o meu problema não tinha cura. Apesar que a médica não achava que o fato de eu ser gay era um problema.

Tempos atrás, perguntei para minha mãe se ela achava melhor um filho drogado, beberrão, que bate em mulher, ou um gay. Ela deu a entender que preferia o drogado mesmo.

Assisti em um Caso de Família, uma moça que queria apenas um abraço verdadeiro da mãe e que queria ser amada. No fim do programa, a mãe abraçou a filha muito a contragosto, porque estava em frente das câmeras, e porque o auditório insistiu para ela abraçar a filha. 

Mas a psicóloga que acompanhava o caso, disse que ela precisava aprender a conviver com o fato de a mãe não gostar dela. “Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mesmo que seja mãe”. 

A psicóloga disse que ela precisava tentar superar isso. Isso é que eu tento fazer com minha mãe. Certa vez ela perguntou se eu me sentia amado, e lembro que respondi que não. Isso faz muitos anos.

Por mais que eu faça tudo por minha mãe, ainda não consigo me sentir amado. Sinto muito por não ser o filho que ela esperasse que eu fosse. 

Por mais que me reprima e aceite morar junto dela com todas as suas exigências, ainda assim serei sempre uma bicha que gosta de homens e pés masculinos.

Na medida do possível, tento sobreviver a esse mundo preconceituoso. 

Pena que o Bobby não teve a mesma chance.

Beijos nos pés!