sábado, 17 de novembro de 2012

Paixão

Paixão vem do verbo grego paskho e significa, literalmente, sofrer. A noite em que Jesus Cristo foi martirizado e crucificado é chamada Sexta Feira da Paixão.
Paixão era o oposto do raciocínio e do autocontrole. Tradicionalmente considerada uma fraqueza humana, que podia destruir vidas como em Romeu e Julieta e tantas óperas.

O conceito só começou a ser aceito na civilização ocidental a partir do século 12. Era espécie de inimiga do verdadeiro amor, concretizado no casamento. Foi só no século 19, com o Romantismo, que a paixão passou a ser considerada uma situação nobre, em contraposição à frieza racionalista do Iluminismo.


A paixão é um estado superior de desejo. Provoca reações químicas e perda de apetite. Faz com que a gente projete uma vida inteira de felicidade pelo fogo de uma noite de descoberta. A realidade é substituída por um estado de obsessão.

Nem toda paixão é ligada a relacionamento. Podemos nos apaixonar por um time de futebol, por uma causa, um hobby. Alguém que mata por ciúme, comete um crime de paixão. 
Na filosofia, é usada para se referir a estados emocionais às vezes perigosos como a raiva, a ganância, a cobiça, a luxúria. É o que nos move quando a razão termina.

Segundo a Wikipédia, a paixão é uma patologia amorosa, um superlativo fantasioso da realidade sobre o outro, tendo em vista que o indivíduo apaixonado se funde no outro, ou seja, perde a sua individualidade, que só é resgatada quando na presença do outro.

Segundo a psicóloga Donatella Marazziti, a paixão começa em duas bolinhas nervosas cinzentas de dois centímetros de diâmetro cada uma no interior de nossas têmporas. 

É a amídala cerebral, uma espécie de usina de instintos, ligada ao sexo e à agressividade.

Essas bolinhas produzem tempestades de impulsos agressivos. Para neutralizar essa fúria, se apresenta a serotonina. Quanto menor o índice de serotonina, mais ficamos próximos de um transtorno obsessivo-compulsivo, o famoso TOC. O efeito é semelhante ao provocado pela cocaína. Queremos mais e mais e mais.

Segundo pesquisas, a paixão dura de 18 a 30 meses. Média de dois anos. A doutora Ana Luisa Miranda Vilela aponta outros elementos químicos como a feniletilamina, a dopamina e a ocitocina, como drogas que nos deixam apaixonados. Até que o corpo adquire resistência. E a paixão reflui junto com o fim desse coquetel químico.


A paixão é movida pelos sentidos: sentimos na pele, vemos a beleza, saboreamos seu beijo, gravamos seu cheiro. Mas a evolução humana deu cada vez mais espaço a manifestações mais sutis e subjetivas da atração.

A convergência de pensamentos, a construção da confiança mútua, a sintonia da vibração individual. É aí que a paixão vira amor de verdade. A paixão é um estado de loucura normal, convivível. O passional mata sem matar. Ele retira do objeto de sua paixão as características reais e as substitui por suas projeções. 

Mas isso tem um limite de ação não muito preciso. Quem passa desse limite comete o chamado crime passional. E vai parar no hospital ou na delegacia.

A paixão passa a ser loucura quando a pessoa começa a caminhar fora da realidade e ter fantasias. Às vezes perigosas.
Quem não tem paixão nenhuma é um doente para si próprio. 

O medo de um descontrole emocional faz com que ele se reprima tanto que passa a sofrer de fenômenos conversivos (antes chamados de psicossomáticos): dores de cabeça, hipertensão etc. além de ter uma pobreza vivencial muito grande.

Uma vida sem paixão não é exatamente uma vida. Uma existência sem risco, sem impulsos, sem prazeres acontece para muitos caras. Eles surgem e somem sem deixar traços.


A paixão é, sim, o caminho para a loucura, para o suicídio, para o ridículo. Mas é também o atalho para a glória, para o sucesso e para a felicidade. Viver, afinal, é perigoso.


A vida é uma mesa de pôquer. Só leva o grande prêmio quem aposta nele.


Fonte: Men's Health07/2012.
Dedico esse post ao meu amigo Fabio.


Beijos nos pés!