terça-feira, 13 de março de 2012

Sair do armário (2ª Parte)

Fui na livraria, mas não comprei nada. Olhei alguns DVDs e folheei muitos livros. Já cheguei a ler um livro inteirinho dentro de uma loja. Fiquei em pé por uma hora e li todinho.


Quando estava indo ver o preço de um DVD, passou por mim um carinha lindo de mãos dadas com a namorada. O cara era alto, branco, cabelos grandes e lisos, tinha pernas grossas e peludas, apesar de ser magro. Seus pezões calçavam 42 no mínimo.

Fiquei impressionado quando ele passou por mim, porque ele me deu uma conferida dos pés a cabeça. Quando me aproximei dele, ele olhou para minhas pernas e pés. Parou os olhos nos meus pés. Tomara que a namorada não tenha percebido. Acho que o carinha além de ser bissexual, gostava de pés. Quando passou por mim, senti o olhar dele para os meus pés de desejo.

Outros caras já repararam em meus pés durante essas minhas últimas andanças de chinelo, mas nunca ninguém tinha me olhado daquele jeito. Um olhar que só um podólatra tem. Apesar dele não fazer o meu tipo, senti como se minha alma gêmea tivesse passado por mim, e eu não tivesse feito nada para segurá-lo.


Comecei novamente a me questionar sobre sair ou não do armário. Pensei que como deve ser difícil ter dupla personalidade. Graças a Deus nunca tive isso. Quando gostei das meninas na adolescência, nunca forcei a barra.

Depois que entrei na maioridade, já tinha certeza absoluta que queria era terminar a minha vida com um grande homem ao meu lado. De preferência com uns pés bem bonitos e macios.

Na volta, o trem estava devagar, quase parando. A viagem que dura uma hora e meia, durou quase três horas. Em um determinado momento em que estava encostado na porta, entrou um carinha com uma mina. Acho que era namorada dele. Ele ficou atrás de mim.

De repente, senti uma mãozona bem macia encostando na minha. Espero que ninguém tenha reparado. Só sei que o cara tirou uma casquinha legal de mim. E logicamente que eu gostei. Às vezes sentia ele encostar em minhas costas. Suas pernas roçavam de vez em quando nas minhas. Pena que ele estava de calça comprida. De qualquer maneira. Aproveitei o quanto pude. Não tomei a iniciativa. Apenas deixava o barco rolar. A mina dele que me desculpe, mas as esfregadas de mão e perna foram ótimas. Bom mesmo é ficar de mãos dadas com um macho desse.

Quando fiz a troca de trem para minha cidade, sentei de frente para um gato. Era moreno claro, tinha pernas bem grossas e peludas, calçava uns 42, tinha pelos nas costas e no peito. Tinha jeito bem másculo. Parecia um ogro de tão macho, mas era bonito. Me deu vontade de fotografar o carinha de corpo inteiro. Tentei acessar o celular, mas a bateria tinha acabado. Esse queria ter filmado de corpo inteiro, da cabeça aos pés. As mãos eram bonitas. Pareciam ser bem macias. Estava de unhas bem aparadas. Seus cabelos eram escuros e lisos. Estavam meio arrepiados. Acho que passou gel ou creme. Era um tesão!

Meu sábado foi maravilhoso. Mesmo com o trem indo naquela lentidão toda.

No domingo conversei com minha mãe sobre sair do armário no trabalho. Ela disse que eu vou me arrepender muito. Pode até ser, mas acho que pelo menos vou dormir menos angustiado. Vivo com uma angustia no peito. Tem dia que chega a doer. Às vezes nem durmo direito. Tenho a impressão que eu sinto uma angustia sem motivo algum.


Assisti um episódio do True Blood, e o metamorfo diz para o vampiro “sofremos mais escondendo algo do que enfrentando”. Isso me fez repensar em minha vida. Só peço a Deus para fazer a escolha certa. Não quero ter que me arrepender depois.

Beijos nos pés!