terça-feira, 12 de julho de 2011

Cine Marabá

 A coisa que mais gostava era ver filmes. Me transportava para outra realidade. Como morei perto da República, frequentava muito os cinemas. Cine Marabá, era um dos preferidos. Lembro de um dia que estava sentado numa poltrona próxima da frente, quando passou um boyzinho só de bermuda e roçou em minhas pernas. Percebi que ele olhava para mim, mas estava mais concentrado no filme. De repente, o cara tirou o tênis. Estava sem meia. Aí não resisti. Quase mudei de lugar. Lembro que o filme estava pela metade. Foi difícil me concentrar no filme. O cara judiou legal de mim! Quando acabou o filme e as luzes se acenderam, deu para reparar melhor no boy. Tinha uns vinte anos. Moreno claro, olhos castanhos claros, usava boné, camiseta preta, bermuda bege. Fiquei esperando acabar os créditos do filme, pois a trilha sonora era boa. Continuei sentado. O carinha continuava me olhando e às vezes ele ria. Acho que percebeu meu tesão pelos pés dele.

Quando acabou os créditos ele se levantou. Passou por mim e deu mais uma roçada em minhas pernas. Me encarou bem nos olhos com um sorriso nos lábios e perguntou se havia gostado do filme. Nessa hora, reparei que tinha pernas grossas e peludas. Também tinha um pezão, apesar de estar calçado. Levantei-me e o acompanhei até a saída do cinema. Perguntou se estava sozinho e me convidou para irmos a um barzinho. Apesar da simpatia do cara, recusei. Tinha que trabalhar no outro dia bem cedo e já estava ficando tarde.
Subiu comigo até o fim da Ipiranga. Conversamos sobre futebol, filmes de terror, preconceito e outras coisas mais. Não quis dar meu telefone para ele porque minha tia não sabia da minha homossexualidade. Fiquei com medo de ela perceber algo.  Se pudesse voltar atrás, tinha dado o meu endereço. Quem sabe ele estava bem intencionado! Às vezes a gente deixa escapar coisas boas da vida por medo.
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Beijos nos pés de vocês!