domingo, 17 de julho de 2011

O beijo

Meu amigo do trabalho de Física tinha sumido por uns meses. Até que um belo dia, me ligou dizendo que apareceria na faculdade. Então resolvi comprar um presente a ele, fiz um cartão especial dizendo tudo o que sentia. Estava disposto a me abrir.

Quando o vi. Meu coração se encheu de alegria. Perguntei como ele estava, e ele disse que estava fazendo outro curso, em outra faculdade. Desejei boa sorte a ele. Quando já estava quase tirando o embrulho de dentro da mochila, apareceu uma moça. Era a namorada dele. Conversamos um pouco e fui para a aula de laboratório. Minha tristeza era visível de longe. Fiquei branco e pálido ao mesmo tempo.


Sentei no fundo da sala e não consegui me concentrar na aula da professora. No fim da aula, teve uma colega que veio perguntar se estava passando mal. Quase disse a ela que era “mal de amor”, mas sabia que ela iria espalhar aos quatro ventos. Disse que estava tudo bem e que estava com problemas no serviço. Aí fui almoçar.
Quando estava indo embora, encontrei novamente meu colega. Lembro que conversamos e de repente, novamente a namorada dele. Lembro que quando sentou entre nós, beijou meu amigo. Ele tascou um beijão em sua boca de olhos bem abertos.

Ficou só me encarando. Eu fiquei com vergonha e olhei para o outro lado. Pensei “esse beijo bem que poderia ser em mim”. Quando terminaram de se beijar, levantaram para ir embora. Então pedi para meu amigo me dar uma carona até fora do Campus.

Quando chegamos ao carro, ele tirou os sapatos e calçou os chinelos. Continuava com aqueles pés lindos! Disse que iria ser promovido e que iria trocar de carro. A garota ficou toda contente! Quando me deixou na parada de ônibus, agradeci! Enquanto seu carro sumia na multidão, tive a certeza de que nunca mais o veria. E foi isso que aconteceu. A única lembrança que tenho dele é um livro que ele me deu.

Beijos nos pés!