terça-feira, 16 de julho de 2013

Rio 2013 – Cemitério


Alguns ônibus só param em determinados pontos. Então demorei a achar o ônibus que ia para o cemitério. Já passava das quatro horas. Fui chegar no cemitério depois das cinco. 

Quando entrei pela portaria, perguntei ao porteiro onde ficava o túmulo do Cazuza. O cara explicou direitinho e foi muito atencioso comigo. 

No caminho, encontrei o túmulo do Santos Dumont. Li a lápide e olhei que muitos túmulos eram bem bonitos. Lembrei de uma colega de trabalho que tinha a mania de ir no dia de finados, paquerar os carinhas. Não sei se dava certo, mas dizia que fazia altos contatos.

Quando me aproximei do túmulo do Cazuza, tinha uma senhora chorando bem próximo ao túmulo dele. Fiquei com vontade de ir falar com ela, mas fiquei com receio dela não gostar. 



Então localizei o túmulo do Cazuza e percebi que havia pouquíssimas flores. Encontrei dois bilhetes, cada um com uma rosa. Já estava começando a anoitecer, mas deu para fotografar mesmo assim.



Quando resolvi ir embora, o planto da senhora me comoveu. Então me aproximei e perguntei se estava passando mal e precisava de ajuda. 

Então ela começou a falar no português de Portugal sobre as perdas que havia tido nesse ano. Perdeu seu único filho que era bem companheiro, e um cunhado a quem prezava muito. 

Contou que colocou o nome do cunhado na lápide e que havia enterrado seu marido e outro filho anos atrás. A senhora chorou muito e me fez encher os olhos de lágrimas. Contou muita coisa sobre sua vida e de seus entes queridos.

O tempo passou e ia dar seis horas. Um funcionário passou pela gente e avisou que o portão fecharia às seis. 

Então resolvemos ir embora. No caminho, a senhora me mostrou o túmulo de uma cantora chamada Clara Nunes. Disse que também tinha outras pessoas ilustres enterradas ali. Eu disse que outro dia voltaria para visitar e prestar minhas homenagens.

Quando saímos, resolvi ir a pé, pois o cemitério ficava próximo do Hostel onde tinha me hospedado. Então disse que acompanharia a senhora até a parada de ônibus. 



Ela estava muito desanimada e queria que Deus a levasse logo embora. Eu disse que Deus ainda tinha um propósito para ela. 

Quem sabe ela ainda não iria ajudar alguém na vida. Ela me contou que tinha dado uma sacola para um morador de rua que estava precisando. Senti que enquanto andávamos, ela foi se animando mais. 

Paramos no ponto de ônibus e ficamos conversando um bom tempo. Trocamos telefones e me despedi.

Depois me mandei para o Hostel porque estava cansado e com fome. Chegando lá, dei de cara com dois argentinos. Tinham três mocinhas em polvorosas com os argentinos.

Amanhã continuo falando sobre eles.

Beijos nos pés!