Alguns
ônibus só param em determinados pontos. Então demorei a achar o ônibus que ia
para o cemitério. Já passava das quatro horas. Fui chegar no cemitério depois
das cinco.
Quando entrei pela portaria, perguntei ao porteiro onde ficava o
túmulo do Cazuza. O cara explicou direitinho e foi muito atencioso comigo.
No
caminho, encontrei o túmulo do Santos Dumont. Li a lápide e olhei que muitos
túmulos eram bem bonitos. Lembrei de uma colega de trabalho que tinha a mania
de ir no dia de finados, paquerar os carinhas. Não sei se dava certo, mas dizia
que fazia altos contatos.
Quando
me aproximei do túmulo do Cazuza, tinha uma senhora chorando bem próximo ao
túmulo dele. Fiquei com vontade de ir falar com ela, mas fiquei com receio dela
não gostar.
Então localizei o túmulo do Cazuza e percebi que havia pouquíssimas flores. Encontrei dois bilhetes, cada um com uma rosa. Já estava começando a anoitecer, mas deu para fotografar mesmo assim.
Quando resolvi ir embora, o planto da senhora me comoveu. Então me aproximei e perguntei se estava passando mal e precisava de ajuda.
Então ela começou a
falar no português de Portugal sobre as perdas que havia tido nesse ano. Perdeu
seu único filho que era bem companheiro, e um cunhado a quem prezava muito.
Contou que colocou o nome do cunhado na lápide e que havia enterrado seu marido
e outro filho anos atrás. A senhora chorou muito e me fez encher os olhos de
lágrimas. Contou muita coisa sobre sua vida e de seus entes queridos.
O
tempo passou e ia dar seis horas. Um funcionário passou pela gente e avisou que
o portão fecharia às seis.
Então resolvemos ir embora. No caminho, a senhora me
mostrou o túmulo de uma cantora chamada Clara Nunes. Disse que também tinha
outras pessoas ilustres enterradas ali. Eu disse que outro dia voltaria para
visitar e prestar minhas homenagens.
Quando
saímos, resolvi ir a pé, pois o cemitério ficava próximo do Hostel onde tinha
me hospedado. Então disse que acompanharia a senhora até a parada de ônibus.
Ela estava muito desanimada e queria que Deus a levasse logo embora. Eu disse que Deus ainda tinha um propósito para ela.
Quem sabe ela ainda não iria ajudar alguém na vida. Ela me contou que tinha dado uma sacola para um morador de rua
que estava precisando. Senti que enquanto andávamos, ela foi se animando mais.
Depois
me mandei para o Hostel porque estava cansado e com fome. Chegando lá, dei de
cara com dois argentinos. Tinham três mocinhas em polvorosas com os argentinos.
Amanhã
continuo falando sobre eles.
Beijos
nos pés!
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